Qual melhor ambiente para se criar Networking?

Para iniciar nossa reflexão, é preciso entender a definição de Networking, cujo significado é muito confundido com o sentido de Network. De forma rápida e rasteira, Network significa ter uma rede de contatos e Networking é o processo e prática de manter e alimentar essa rede. Há anos, tenho trabalhado em desconstruir a forma tradicional sobre como o Networking é feito, principalmente depois de estudar o comportamento das pessoas.

 Eu sempre via uma agressividade sutil, uma posição de caça às oportunidades com motivação egoísta por algum lado das partes, cuja intenção era facilmente reconhecida pela outra pessoa, gerando um sentimento mútuo de análise de moeda de troca, ou seja, “você quer algo, mas o que tem para me oferecer em troca é valioso para mim?”.

Minhas observações sobre esses comportamentos iniciaram ainda na minha adolescência, quando eu não fazia ideia do que era ou significava Networking, mas praticava de uma forma bem diferente. Percebi que Networking não é sobre caçar, mas sobre plantar, semear. 

Desde a minha adolescência, eu já o praticava, mas de uma forma bem diferente, sem fazer ideia do seu significado. E a forma como passei a me relacionar com minha rede de amigos foi, sem dúvida, o divisor de águas da minha vida (para entender o contexto em que utilizei bastante Networking, ouça a entrevista que dei a este canal de podcast).

Cada construção de relacionamento deve ser vista como uma nova amizade a ser conquistada, daquelas que você pretende se doar à pessoa, criar laços e semear na vida dela oferecendo ajuda para crescimento em alguma área, ofertando seu talento de acordo com sua disponibilidade, e o mais importante (que parece loucura), sem esperar nada em troca. Isso mesmo, quando faz algo sem esperar nada em troca, você toca a alma das pessoas e faz com que coisas maravilhosas te toquem de volta, muitas vezes de onde não se espera.

Parece até que espiritualizei o conceito de Networking, mas tudo tem a ver com a emoção e experiência que causamos na vida do outro. Quem, em sã consciência, ganharia algo de valor de outra pessoa e não a veria com excelentes olhos a ponto de não querer retribuir tanta gentileza?

Acredito profundamente que cada encontro é sagrado e que devemos deixar nossa melhor versão com as pessoas. Cada vez que você conversa com alguma pessoa, tem a oportunidade de conquistar ela para sua rede de relacionamentos de uma forma muito especial. E é incrível como isso te faz ter oportunidades incríveis. Mas o que tudo o que falei até aqui tem a ver com o título do texto? TUDO.

As dicas que explanei são leves e agradáveis, podendo ser usadas em qualquer ambiente que estiver. Minhas maiores oportunidades de negócios surgiram em cafés descontraídos onde um amigo me apresentou alguém, ou mesmo na mesa de um bar, com os mais diversos temas sendo conversados.

Mas espera aí, eu Daniel Noel nem bebo nada alcoólico. Sim, mas o fato de eu não gostar de algo, estilo musical, balada, carnaval, e de repente cair nestes cenários por estar acompanhando algum bom amigo, não quer dizer que não posso aproveitar para construir minha rede de relacionamentos com pessoas incríveis que podem estar ali.

Construir relações de sucesso que se transformarão em excelentes oportunidades de negócios é tudo questão de conexão de propósitos, doação sadia e equilibrada de seus talentos e uma dose sem moderação de gentileza, que cabe em qualquer lugar e abre muitas portas.

Então, conheça pessoas, participe de muitos eventos, não dispense um happy hour só porque não bebe, fale sobre sua rotina, se interesse pela rotina do outro e deixe sempre sua melhor versão nas pessoas. Daniel Noel é músico, produtor de eventos, coordenador TEDx e publicitário pela Universidade Anhembi Morumbi (SP). Usa o poder do Networking para fechar negócios.

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 21 de fevereiro de 2020 0 Comentários

Essenciais da Neurociência: entenda como funciona o cérebro humano

Muito se ouve falar em Neurociência e estudos sobre como funciona o cérebro humano. Há algumas semanas, publiquei aqui no blog que o interesse pela área foi tamanho a ponto de eu começar uma nova formação, em 2019, em Neurociência e Comunicação.

A ideia foi me aprofundar numa das áreas que mais despertam a curiosidade das pessoas: o cérebro humano. Depois da formação mais robusta na ESPM, fiz outros cursos no Portal Udemy, dediquei muitas horas de estudo e leituras de livros tanto na área de Neurociência, quanto na área de Neuromarketing.

Conteúdo especial sobre Neurociência

Depois de buscar conteúdo em uma dezena de artigos científicos e textos em sites e blogs especializados, o meu tino jornalístico ainda pedia um pouco mais: decidi convidar a uma neurocientista referência no assunto para explicar mais sobre questões essenciais de Neurociência e como isso interfere na Comunicação.

A Dra. Cássia Oliveira é neurocientista, Ph.D, pós-doutoranda em Neurociência (Universidade de Palermo), neurotecnóloga pela Sociedade Brasileira de Neurociência e Neurometria, tem formação internacional em Harvard e Universidade de Genebra. Em um encontro muito agradável, numa tarde dedicada à Neurociência, consegui absorver muito conhecimento e propus uma entrevista aprofundada para o blog. Cássia Oliveira gentilmente topou o convite de responder minhas dúvidas sobre Neurociência, área que está presente em sua rotina de consultório (devido sua atuação com Neurometria – esse assunto será tratado em outros posts)

A riqueza de informações foi tamanha que optei por publicar a entrevista em duas partes: na primeira, a doutora Cássia aborda questões essenciais do cérebro Humano, na segunda, trata especificamente da Comunicação e como podemos usar a Neurociência para nos relacionar melhor com as pessoas. Vamos lá?

Maraísa Lima – Em linhas gerais, você pode explicar como nosso cérebro é divido e como cada área tem impacto em nosso comportamento, em nossas emoções e na nossa forma de encarar o mundo?

Dra. Cássia Oliveira – Das diferentes partes que compõem o encéfalo, o cérebro é sem dúvida a mais importante. Destinado a receber as impressões sensitivas bem como a elaborar as reações motoras voluntárias, cabe-lhe ainda a sede das operações psíquicas mais complexas e elevadas. Todas as regiões em geral têm muitas funções e elas dependem das interações com outras áreas do cérebro. A maioria das estruturas do cérebro é bilateral, com correspondentes idênticos nos hemisférios esquerdo e direito.

Neocórtex

O Neocórtex contém centros para cognição e outras operações mentais complexas. As áreas subcorticais são onde ocorrem processos mentais mais básicos. Logo abaixo do cérebro pensante, e se projetando para o córtex, está o sistema límbico, a principal área do cérebro para a emoção. Essas áreas também são encontradas nos cérebros de outros mamíferos. As partes mais antigas do subcórtex estendem-se abaixo, até o tronco encefálico, conhecido como “cérebro reptiliano” porque partilhamos desta arquitetura básica com os répteis. O córtex cerebral é a maior parte do cérebro humano, e está associado com funções cerebrais superiores, como o pensamento e a ação. O córtex cerebral é dividido em quatro seções, chamadas lóbulos: Frontal, Temporal, Parietal e Ociptal.

Fonte: Reprodução

Cerebelo

A estrutura do cerebelo é semelhante à do cérebro, já que tem dois hemisférios e tem um córtex altamente dobrado, o qual está associado com a regulação e a coordenação dos movimentos, à postura e ao equilíbrio.

Funções do Cerebelo

• Organiza a informação complexa recebida pelo cérebro, e recebe informação a partir do ouvido interno, dos nervos sensoriais e do sistema visual auditivo. • Coordena os movimentos motores e os processos de memória e aprendizagem básica. • Desempenha um papel fundamental na coordenação dos movimentos voluntários motores, do equilíbrio e do tônus muscular.

Sistema Límbico

O Sistema Límbico, também é chamado de sistema emocional. Foi o primeiro mecanismo desenvolvido ao longo do nosso processo evolutivo para nos tornar capazes de antecipar situações que precisam de respostas comportamentais adaptativas, como reconhecer de forma antecipada um determinado risco iminente por exemplo.

O Sistema Límbico é composto por estruturas do mesencéfalo (substância negra, substância cinzenta, ATV – Área Tegmentar Ventral), diencéfalo (hipotálamo e tálamo) e telencéfalo (hipocampo, corpo amigdaloide, núcleo acumbente, giro do cíngulo, córtex piriforme e córtex pré-frontal ventromedial). Tais estruturas coordenam as respostas hormonais, comportamentais e fisiológicas condizentes com os nossos distintos estados emocionais.

Tronco Cerebral

Sua mais importante função é controlar e regular os processos motores e sensoriais do corpo. As funções do tronco cerebral incluem atenção, estado de alerta, a respiração, a frequência cardíaca, a pressão arterial, transmissão de informações e sinais entre os nervos periféricos e a medula espinhal com o cérebro superior e outras funções autônomas, como a salivação, a digestão, a sudorese, a contração e a dilatação das pupilas e a urina, entre outras.

Maraísa Lima – Muito se fala sobre a diferenciação do cérebro humano em relação ao dos animais, devido ao Neocórtex. Ter essa área desenvolvida mais recentemente torna os humanos superiores?

Dra. Cássia Oliveira – Somos realmente muito parecidos biologicamente com os nossos “primos”, os grandes primatas antropoides. A biologia molecular descobriu, por exemplo, que 98% do genoma do chimpanzé é igual ao nosso. Em relação ao comportamento, todos os antropoides demonstram enorme capacidade de adaptação ao ambiente através da aprendizagem, uma vida social estruturada baseada na tribo, o comportamento sexual e reprodutivo, e complexas formas de intercomunicação intra-específica, dentre outras similaridades.

Foto: Reprodução

O Neocórtex Cerebral dotou-nos de propriedades que não existem, ou existem de forma primitiva em outros antropoides. É no Neocórtex que possuímos os mais altos níveis de análise sintética. É lá que a nossa visão do mundo é analisada, planeada e programada para executarmos uma ação. Porém, o ser humano se distingue dos outros primatas por causa de uma característica mental muito significativa:

Gradativamente desenvolvemos um conjunto distinto de capacidades de modificarmos qualquer comportamento, mesmo que instintivo, de maneira a torná-lo mais evoluído e eficaz para a nossa sobrevivência.

Quanto mais desenvolvermos esse conjunto de capacidades a SEGUIR, mais evoluídos nos tornaremos:

• O gerenciamento do controle dos impulsos, a capacidade de lidar com nossas emoções, particularmente emoções aflitivas e sentimentos fortes, localizadas em áreas específicas no cérebro (Área cingular anterior);

• A autoconsciência que é a capacidade de estarmos conscientes de nossos próprios sentimentos e entendê-los (amígdala direita localizada no mesencéfalo); A capacidade de entender e sentir nossas próprias emoções é essencial para o entendimento e a empatia com as emoções dos outros;

• A empatia – a consciência das emoções nas outras pessoas. (Córtex somatossensorial direito, córtex insular); • A capacidade de resolver problemas pessoais e interpessoais, de controlar nossos impulsos, de expressar nossos sentimentos com eficácia e de nos relacionarmos bem com os outros. (Área orbitofrontal/ventromedial).

A nossa missão como neurocientistas é promover o desvelamento da enorme complexidade do sistema nervoso, para que o uso das funções intelectuais superiores estruturais e funcionais nos permitam treinar a mente e esculpir o cérebro para ter uma vida mais serena, repleta de bem-estar, sabedoria e relacionamentos gratificantes. Quanto mais a espécie humana utilizar o dom de dominar o cérebro emocional e instintivo, por meio do cérebro racional, por meio da autogestão e autodomínio, mais humanos seremos.

 

Maraísa Lima – É verdade que a maior parte das nossas decisões diárias vem do inconsciente, e que apenas uma pequena parte está ligada ao lado racional?

Dra. Cássia Oliveira – Estudos da neurociência indicam que aproximadamente 87% a 90% de todas as nossas decisões são executadas pelo nosso inconsciente. O sistema nervoso se organiza em circuitos automatizados justamente para produzir respostas muito rápidas, respostas-padrão, para que não tenhamos que pensar em tudo para responder ou agir, o que levaria muito mais tempo.

Se tivéssemos que pensar ao dar cada passo, dificilmente daríamos conta de fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Como precisamos de agilidade nas escolhas, às vezes acabamos decidindo de forma inconsciente, o que significa atender a nossa vontade, mas sem ter consciência das consequências. Dessa maneira, deixamos para a área racional situações novas, que ainda não temos as nossas programações automáticas desenvolvidas.

Relação entre razão e emoção

O sistema emocional e as áreas corticais do nosso cérebro são extremamente influentes na construção do comportamento e das tomadas de decisão.

Foto: Reprodução

 

A relação entre essas duas áreas determina muito do que somos e como nos comportamos. Temos muito mais atitudes movidas pela emoção e automatismo do que ações regidas pela racionalidade e consciência. Sabe aquela sensação de não agir de acordo com o que você gostaria?

Quando você diz algo sem pensar e magoa alguém, quando age impulsivamente e se arrepende do que fez, quando compra algo e depois percebe que nem vai usar? Nesses momentos, a sensação é que você não está no controle de sua vida, não é? Pois é o “eu automático e inconsciente” é quem está se manifestando. Às vezes parece que estamos em um carro sem motorista correndo sem direção, sem o mínimo controle. São as emoções desenfreadas se manifestando.

Definição de emoção

A emoção é um processo involuntário, rápido, desconectado da nossa intencionalidade, sem reflexão sob o qual não temos muito controle. Ela vem automaticamente a partir dos estímulos do momento, seguindo padrões que foram se estabelecendo em nosso cérebro ao longo de nossas vidas.

Dessa forma, são criados padrões neurais que nos induzem a agir de uma determinada maneira pelo que aprendemos com nossas experiências anteriores e que não necessariamente combinam com o que desejamos racionalmente ser.

No entanto, se formos capazes de reconhecer as nossas emoções e nomeá-las, conseguimos detectá-las mais facilmente, descobrindo por que foram provocadas. Assim acontece a regulação e construção de outros circuitos e o melhor controle dos nossos pensamentos e comportamentos, construindo outros circuitos e diminuindo as chances de ter atitudes impulsivas.

Sistema emocional e o comportamento

O sistema emocional e comportamento são inseparáveis, há uma estreita relação entre eles. Para cada processamento emocional que ocorre dentro do Sistema Límbico, teremos um correlato comportamental que se exprime por meio de uma expressão facial, expressão corporal, mudanças em nossa fisiologia visceral.

O cérebro e a tomada de decisões

A capacidade de tomar decisões sensatas envolve calcular prós e contras.

Primeiro, o cérebro avalia o “valor da meta” – a recompensa esperada como resultado líquido, ou a recompensa menos o custo. Por fim, faz uma previsão da probabilidade de a decisão ter como resultado a recompensa vislumbrada, que pode ser comparada ao resultado efetivo, gerando uma “predição de erros”. Quanto mais complexo um problema, mais as áreas frontais do cérebro estão envolvidas. Se a decisão for feita em um contexto complexo, serão ativadas as áreas do Córtex Pré-frontal Lateral relacionadas à comparação de situações passadas e presentes.

Por fim, a área mais frontal do cérebro, o Córtex Orbitofrontal Medial que correlaciona-se com valores de metas é envolvida juntamente com a atividade no estriado ventral – parte do núcleo caudado e do putâmen – que correlacionam-se com a predição de erros, combinando em um único plano integrado todas as informações reunidas até aquele momento.

Para tomar uma boa decisão, temos de ter sentimentos sobre os nossos pensamentos, conectar os prós e contras emocionais, nos organizar em prioridades.

Tais sentimentos vêm dos centros emocionais no mesencéfalo, interagindo com uma área específica no Córtex Pré-Frontal.

Gânglios da base e a nossa sabedoria de vida

Abaixo no cérebro, por baixo das áreas límbicas, há uma rede neural chamada gânglios da base. Essa é uma parte do cérebro muito primitiva, mas faz algo extraordinariamente importante para a navegação no mundo moderno.

Foto: Reprodução

Conforme atravessamos cada situação da vida, os gânglios da base extraem regras de decisão: quando fiz isso, funcionou bem; quando disse aquilo, deu algo errado; e assim por diante. Nossa sabedoria de vida acumulada está armazenada nesse circuito primitivo.

No entanto, quando enfrentamos uma decisão, é nosso córtex verbal que gera nossos pensamentos sobre ela. Os gânglios da base além de ter uma ligação direta com as áreas verbais, também têm conexões muito ricas com o trato gastrointestinal, as vísceras.

Portanto, ao tomar uma decisão, um senso visceral de ela ser certa ou errada também é uma informação importante. A resposta à pergunta “o que estou prestes a fazer serve a meu sentido de propósito, significado ou ética?” não nos vem sem palavras; nos vem pela via desse sentido visceral.

Maraísa Lima – Os seres humanos são predominantemente racionais ou emocionais?

Dra. Cássia Oliveira – A ciência comprova e identifica a existência de seis emoções básicas, independentemente da etnia ou da cultura: medo, raiva, tristeza, surpresa, repulsa e alegria. Elas não estão ligadas ao ambiente, ou à influência da cultura, seja a mais ancestral ou moderna.

Todos os seres humanos são capazes de expressar essas emoções na face. Podemos controlar o modo como demonstramos, mas as emoções sempre estarão lá. São reações automáticas, microexpressões.

Assim como as sete notas musicais dão origem a todos os acordes, posso arriscar dizer que os seres humanos são compostos por emoções e sentimentos em constante conflito entre o que vem do racional, do conhecimento e da reflexão.

Emoção x Sentimento

A evolução da consciência se fez presente na vivência subjetiva da emoção, o sentimento. A reação emocional é formada por três ligações: a atitude física, a expressão facial e o sentimento.

Foto: Reprodução

Uma emoção pressupõe uma reação intensa, é uma resposta mental e física específica. Já o sentimento surge e se prolonga no tempo sem a reação aguda da emoção. O Sentimento é a tomada de consciência da emoção que lhe deu origem. Equilibrar razão e emoção é a alternativa para alcançar o bem-estar pessoal e o desempenho adequado no mundo social onde convivemos e interagimos com outras pessoas. Esse equilíbrio vai fazer a diferença nas nossas relações.

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 14 de fevereiro de 2020 0 Comentários

07 formas de explorar a oratória na comunicação empresarial

Falar em público ou mesmo em reuniões dentro das empresas é um dos maiores desafios dos profissionais, aponta pesquisa.

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 2 de fevereiro de 2020 0 Comentários

Entenda por que o fator humano é um desafio para a comunicação organizacional

A comunicação organizacional, em suas várias modalidades, enfrenta alguns desafios recorrentes que impactam o alcance de resultados. Vivemos diante de um impasse: o fator humano é a causa e a solução para esse tipo de problema.

Mas antes de entender esses desafios, uma pergunta: Você já refletiu sobre as mais variadas maneiras e finalidades de uso da comunicação no dia a dia? Expressar nossas ideias e sentimentos, vender algo, comunicar um novo serviço ou produto de uma marca, informar a população sobre uma ação de governo, divulgar as últimas notícias num programa de rádio exibido pela internet, informar aos colaboradores de uma empresa o lançamento de um novo site, transmitir um feedback de um líder para um liderado, delegar uma nova atividade a um colaborador etc. Todos os exemplos dizem respeito ao que se pretende ao comunicar.

Quando pensamos no tipo, categoria ou modalidade temos a comunicação verbal escrita ou fala, a não verbal expressa por gestos e imagens, que ocorre de maneira interpessoal, organizacional, institucional, administrativa, governamental, pública, mercadológica, em ambiente digital, analógico, num cunho informal ou formal. E, claro, essa combinação não se esgota por aqui. Mas é capaz de mostrar quantos terrenos precisamos adentrar ao refletir um pouco sobre comunicação.

Modelo clássico de comunicação

Como parte fundamental da história da humanidade, a comunicação foi evoluindo de acordo as necessidades dos homens. É evidente que os animais irracionais fazem uso da comunicação para atender suas necessidades, no entanto, a complexidade adquirida pela comunicação humana é única e sem precedentes.

No modelo tradicional de comunicação de Shannon e Weaver, criado no século XX, temos a impressão de que estamos diante de uma teoria simples e exata para dar conta de um processo que esconde bastante complexidade:

Quando temos um diálogo interno, ou seja, quando nos comunicamos “intrapessoalmente”, desempenhamos papel de ora emissor, ora receptor, analisamos um contexto, pensamos sobre uma mensagem ou conteúdo, usamos nossa percepção, nosso raciocínio ou nossa emoção para fazê-lo, podemos ser influenciados por ruídos ou bloqueios, que poderiam ser alguns filtros em relação a determinada situação, usamos como código uma imagem para processar nossos pensamentos. Quando compreendemos ou formamos uma posição sobre o assunto, temos a figura do “autofeedback”.

Se tentarmos analisarmos um simples pensamento tendo como base o modelo clássico de comunicação de Shannon e Weaver, podemos adaptar os componentes (emissor, receptor, código, canal, mensagem, contexto, feedback) ao fato de tentar entender ou compreender uma ideia, provando que não estamos lidando com uma tarefa tão simples quanto nos é frequentemente colocado.

São tantas finalidades, meios, situações e formatos que precisamos lançar mão de mais um esquema didático para entender como a comunicação é uma ferramenta abrangente e ao mesmo tempo direcionada.

Composto da comunicação organizacional

Nas empresas, um modelo bastante eficaz para demonstrar essa abrangência e a importância da integração de diversos tipos de comunicação é o de Margarida Kunsch denominado “Composto da Comunicação Integrada”.

Essa denominação é útil por criar um novo paradigma capaz de abordar a comunicação empresarial numa nova metodologia que privilegie as três áreas fundamentais:

  • Comunicação Interna: Composta pela Comunicação Administrativa, que engloba os fluxos de informação (horizontal, vertical, transversal etc) e as redes formal e informal (veículos de comunicação);
  • Comunicação Institucional: Relações Públicas, Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa, Editoração Multimídia, Imagem Corporativa, Propaganda Institucional, Marketing Social, Marketing Cultural;
  • Comunicação Mercadológica: Marketing, Propaganda, Promoção de Vendas, Feiras e Exposições, Marketing Direto, Merchandising e Venda Pessoal.

Por que é difícil se comunicar

Com base no Composto da Comunicação Organizacional, torna-se fácil compreender o aspecto prático da definição de Comunicação proposta por Idalberto Chiavenato, um dos autores mais respeitados no Brasil sobre Administração e Recursos Humanos:

Para ele, comunicação é “tornar algo comum de uma pessoa ou organização para outra pessoa ou organização.”

Entendemos que por trás de “tornar algo comum” há sempre um porquê, uma finalidade a ser alcançada, já que defendemos a comunicação como uma ponte para alcançar resultados específicos. Mas nem sempre é fácil alcançar essa finalidade.

Num vídeo que uso de maneira recorrente em minhas aulas, o psiquiatra Flávio Gikovate explica por que é tão difícil se comunicar com as pessoas.

Gosto muito da maneira como ele afirma que “falar é algo que requer cautela, porque o que falamos quase sempre não coincide com o que o outro vai ouvir.” Costumo ainda recordar um dito popular dos tempos da minha avó paterna para contribuir com o raciocínio exposto no vídeo: “cada cabeça uma sentença”.

Dessa maneira, compreendemos que, no ato comunicativo, é preciso zelar pela totalidade das informações sempre que possível, justamente porque, segundo Gikovate, existe uma dificuldade inerente ao processo devido à existência de pessoas diferentes:

“Essa transmissão de um cérebro pro outro é sempre precária e ela sempre se dá com muita dificuldade, porque o outro cérebro tem um sistema de registro, que é parecido com o nosso, pode falar a mesma Língua Portuguesa, mas cada pessoa registra de uma forma muito peculiar as palavras. (…) Quanto mais ciente e consciente dessa dificuldade de comunicação, melhor comunicador ela é, porque todo indivíduo que acha que é fácil se comunicar erra muito.”

Como vencer esse desafio

Uma dica importante e elementar, para alinhar a compreensão do que foi comunicado ao que o interlocutor entendeu, é promover o feedback para confirmar se houve clareza.

Dependendo do segmento de atuação, a comunicação é vital e, por isso, é regida por manuais, procedimentos padrão e termos técnicos próprios da atividade empresarial com o intuito de garantir uma linguagem exata e de rápido uso.

Entretanto, mesmo em cenários em que há uma preocupação sistemática com o compartilhamento de informações, o fator humano é sempre um dos maiores desafios.

A aviação é um desses casos em que a precisão cirúrgica ao “tornar algo comum” – ou a falta dela – pode acarretar dois cenários distintos. No primeiro, pode garantir que um avião pouse em segurança na pista ou. No segundo, no caso de um comando errado para “virar à esquerda” ao invés de “virar à direita”, por exemplo, pode causar uma tragédia!

Para encerrar, fica a reflexão: mesmo o fator humano sendo um dos mais desafiadores nesse processo, é dele também a responsabilidade para promover uma comunicação eficaz. E, para isso, a própria comunicação não pode ser negligenciada, já que é um artigo de primeira necessidade para a sobrevivência de pessoas e organizações.

Como fazer isso? Podemos começar adotando práticas simples que andam um pouco esquecidas nas empresas: clareza, precisão, protocolos de comunicação, manuais informativos, além da velha e boa intenção de priorizar a comunicação que gera resultado.

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 1 de fevereiro de 2020 0 Comentários

Por que a comunicação tem a ver com a gestão de prioridades

Certamente você pode estar se perguntando: gestão de prioridades tem ligação com a nossa maneira de nos comunicar? A resposta é sim. Vou te contar o porquê!

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 30 de janeiro de 2020 0 Comentários

Comunicação eficaz gera oportunidades profissionais, diz pesquisa

Cerca de 97% dos profissionais acreditam que comunicação eficaz já garantiu oportunidades de trabalho

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 30 de janeiro de 2020 0 Comentários

Uma dose de comunicação e neurociência para o ano novo

A associação dessas áreas ajuda a entender o funcionamento cerebral e como ter mais impacto no comportamento humano.

VEJA +
Maraisa Lima Maraisa Lima 26 de janeiro de 2020 0 Comentários